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Pastoral da Pessoa Idosa

Estimado leitor, o envelhecimento faz parte da nossa vida. É um processo natural que se inicia no momento em que nascemos. Não é questão a ser aceita ou tese da qual se possa discordar. Envelhecemos e ponto final, ocorre com todos. Não há, porém, limites estabelecidos para o término de nossa caminhada neste mundo. Procuremos manter sempre acesa a chama do entusiasmo, pois a vida tem encantos e busquemos percebê-los.
 

Em nossa sociedade, envelhecer é passar da atividade para a passividade, significa deixar de fazer para que façam por nós. Algumas expressões usadas em nossa sociedade, e até em nossas famílias, em relação às pessoas idosas mostram essa mentalidade: "lugar de velho é em casa", "está ficando igual a criança, quer participar de tudo”, “velho não tem mais nada para aprender”. O complexo é que muitas vezes os próprios idosos não se percebem em seus preconceitos, ao dizerem, por exemplo: “senhora está no céu”, “velho tá no museu”, “eu não sou velho, sou experiente, acumulei idade”, “não preciso votar”, entre outros. Linguagens preconceituosas e a não aceitação dessa nova etapa na vida, acontece. É como se as pessoas idosas não tivessem valor, habilidades, direito à opinião própria. Assim, limitadas e isoladas, as pessoas idosas podem perder os encantos e a razão de viver. Precisamos contribuir positivamente para mudarmos esta mentalidade. Penso ser a etapa da vida onde o exacerbado movimento da sabedoria lhes dá o direito até de decidir fazer ou não, sem os forçar, isso no direito ao exercício da cidadania através do voto, por exemplo.
 

Na Bíblia, também podemos perceber que a atitude frente às pessoas idosas nem sempre foi tão pacífica e/ou tranquila como, às vezes, ouvimos e afirmamos. Podemos perceber na leitura da Bíblia que as pessoas idosas não tinham uma vida sem problemas, sem dificuldades. Mas a exortação quanto ao respeito e à valorização da sabedoria dos mais velhos sempre apareceu. O salmista, por exemplo, compara as pessoas que andam com Deus como árvores viçosas, cheias de vigor e de frutos, mesmo na velhice (Sl 92 13-15). A Bíblia nos mostra um horizonte diferente daquele que percebemos na sociedade. A família, a comunidade e a sociedade precisam dignificar as pessoas idosas, assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua liberdade, autonomia, bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida. No contexto social temos várias formas agradáveis de viver esta fase da vida como, por exemplo, participando de grupo de idosos, de dança, artesanato, realizando viagens, fazendo caminhadas, mantendo-se atualizados, frequentando cursos, entre outros. Desta maneira, preenchendo significativamente o nosso envelhecer, de maneira produtiva e saudável.
 

E você, que se considera nesta fase da vida, não pense no número de anos que já viveu. Reflita como desfrutar com muita coragem, perseverança e fé dos próximos anos que tem pela frente, dedicando-se a algo que lhe interesse e orgulhando-se de sua idade, por mais que pense já ter acumulado muitas experiências. Tudo isso manterá seu espírito alegre e juvenil. Que o entardecer da vida, essa nova etapa, seja vivido com responsabilidade, alegria e muito amor. Esse entardecer não acaba em uma noite fechada, mas num amanhecer cheio de esperança. Olhemos para a pessoa idosa como ser humano integral, valioso e amado por Deus e por nós. Não podemos considerar apenas sua força física, mental e sua saúde. É preciso respeitar a personalidade formada e a riqueza da experiência acumulada. As pessoas idosas podem trazer de volta muitos valores perdidos pela sociedade de consumo e pela violência cotidiana. Aproveitamos o espaço para convidar você a estar conosco na Pastoral da Pessoa Idosa da nossa Paróquia, um espaço onde desenvolvemos a espiritualidade, partilha de experiências, promoção da qualidade de vida e visitas fraternas domiciliares. Que Deus nos lembre do valor e da transitoriedade de nossa vida. Que nunca haja um tarde demais para amar, perdoar, servir e resignificar.